Falta de chips: indústria deixa de produzir 300 mil veículos



A indústria automobilística brasileira deixou de produzir 300 mil veículos ao longo de 2021. Este foi o impacto causado pela falta de componentes, segundo estimativa da Anfavea - Associação Nacional dos Fabricantes de Autoveículos, divulgada na semana passada. A entidade classificou 2021 como o ano da maior crise de oferta da história do setor.


Embora os chips eletrônicos sejam considerados os principais responsáveis pela crise, Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, fez questão de frisar que não foram os únicos. Aço, borracha, pneus, atrasos de navios, falta de contêneires, sem contar os aumentos de custos, contribuíram para impactar negativamente a produção. Moraes lembrou que a Boston Consulting Group estima que, no mundo, entre 10 e 12 milhões de veículos deixarão de ser produzidos em 2021.


Segundo Moraes, no início do ano, quando já estavam presentes a escassez de aço e borracha e surgiam as primeiras dificuldades logísticas, a entidade estimava a produção de 2.520 mil unidades em 2021, 25% acima do volume de 2020. Ao longo do ano, com o agravamento da crise e a tomada de conhecimento da falta de chips (março), as previsões precisaram ser revisadas várias vezes, chegando ao final do ano com a estimativa de produção de 2.219 mil unidades, cerca de 10% acima do volume do ano anterior. “A falta de insumos levou a indústria nacional a atingir recorde histórico de estoque baixo”, observou.


Dados de novembro - Ao divulgar os números de novembro a entidade destacou que, apesar do retorno às atividades da maioria das fábricas, o ritmo de produção continua prejudicado. No mês foram produzidas 206 mil unidades, 15,1% a mais que em outubro, porém 13,5% a menos que em novembro de 2020, configurando o pior resultado para o mês desde 2015. No acumulado do ano, a produção atingiu 2.038 mil unidades, alta de 12,9% sobre as 1.805 mil do mesmo período do ano passado. “As exportações também não trouxeram alívio no mês passado, com apenas 28 mil unidades embarcadas, queda de 6% em relação ao mês anterior e de 36,3% sobre novembro do ano passado”, informou a entidade.


“Temos muitos veículos incompletos nos pátios das fábricas, à espera de componentes eletrônicos. Esperamos que eles possam ser completados neste mês, amenizando um pouco as filas de espera nessa virada de ano”, afirmou Moraes, acrescentando que a expectativa para o próximo ano é de uma melhora gradual no fornecimento de semicondutores, embora a solução completa da crise só esteja prevista para o final de 2022.


Moraes destacou também a diferença de desempenho de mercado dos veículos de transporte de carga, muito superior ao dos modelos voltados para passageiros. No acumulado do ano, as vendas de caminhões cresceram 46,3%, a de picapes 28,4% e a de furgões 27,8%, quando comparados aos volumes dos primeiros 11 meses de 2020. Por outro lado, as vendas de automóveis recuaram 1,3%, vans cresceram 1,6% e ônibus subiram apenas 0,7%. “Dentro do universo de automóveis, vale uma ressalva para a evolução de vendas dos SUVs, que cresceram 30% sobre o ano passado e em novembro representaram impressionantes 45,5% do total de carros de passeio”, completou.


A produção de caminhões registrou alta de 4,7% em outubro, na comparação com outubro e 25,3% com novembro de 2020. No acumulado do ano, a produção de caminhões (146 mil unidades) cresceu 82% em relação ao mesmo período do ano passado (80,5 mil unidades). A produção de ônibus atingiu 17,5 mil unidades no ano, apenas 0,3% acima das 17,4 mil do ano passado.


Fonte: Portal Cimm

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